Epamig e Emater-MG se unem à Rede Morangos do Brasil para desenvolver variedades adaptadas do fruto

Minas é o maior produtor brasileiro de morango, mas enfrenta uma dificuldade comum em todo o Brasil: a necessidade de importar mudas de outros países

Foto: Mário Sérgio Dias – EPAMIG

Quando você compra uma bandeja de morangos, mal imagina que 60% das mudas cultivadas para que você consumisse este saboroso fruto precisaram atravessar milhares de quilômetros para chegar até os produtores, saindo de países como Espanha, Argentina e Chile. A importação, além de elevar o custo de produção, também causa uma série de problemas para os agricultores, já que, muitas vezes, as mudas chegam com a qualidade comprometida – devido à longa distância do transporte –, além de não serem variedades específicas para as condições climáticas brasileiras. 

Diante deste problema, enfrentado por produtores de morango de todo o território nacional, a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais (Seapa), por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), se uniu a instituições de outros quatro estados no projeto Rede Morangos do Brasil, que busca a elaboração de um plano multirregional para pesquisa e extensão, visando desenvolver ações de fortalecimento da cadeia de morango no Brasil. 

A Empresa vinculada à Seapa, juntamente com outras 11 instituições de pesquisa dos estados de São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina, desenvolverá pesquisas sobre melhoramento genético; tecnologia de produção de mudas; nutrição de plantas para os diversos sistemas de produção; doenças e pragas da cultura; e pós-colheita e gestão da cadeia (produção e comercialização).

A secretária Ana Maria Valentini destaca que a pesquisa agropecuária exerce um papel muito importante na área de inovação e desenvolvimento de variedades melhoradas geneticamente. “A pesquisa agropecuária precisa ficar atenta às necessidades do produtor rural. E este projeto na área do morango vem para atender a uma grande e importante demanda. É sempre importante lembrar que Minas é o principal produtor de morangos do país”, pontuou a secretária. 

A Rede Morangos do Brasil surgiu após uma reunião com as lideranças de várias instituições de pesquisa e extensão rural do país para debater o problema da falta de qualidade de mudas importadas. Após o diálogo inicial, foi oficializado um protocolo de intenções que propõe ações de pesquisa e desenvolvimento em rede, incluindo o intercâmbio de material genético de morango adaptado às condições brasileiras. 

“Aproveitando a possibilidade desse intercâmbio, a EPAMIG apresentou um projeto que prevê a instalação de vários experimentos visando o desenvolvimento de novas variedades adaptadas às condições de solo e clima de Minas Gerais, para, em seguida, juntamente com a Emater-MG, instalar Unidades de Demonstração nas principais regiões produtoras de morango do estado. Com isso será possível oferecer aos produtores mudas de qualidade e, assim, reduzir a dependência da importação”, lembra o diretor de Operações Técnicas da EPAMIG, Trazilbo de Paula. 

Mário Sérgio Carvalho Dias é o pesquisador da EPAMIG que coordena o projeto “Híbridos nacionais de morangueiro: biotecnologia para produção de mudas e desempenho produtivo em Minas Gerais”. Ele explica que, no laboratório de biotecnologia da EPAMIG Norte, será realizada a multiplicação in vitro de híbridos nacionais de morangueiro selecionados em programas de melhoramento da EPAMIG, da Universidade Estadual de Londrina e do Instituto Agronômico de Campinas. 

“Será também realizada a indexação destes híbridos para as principais viroses que afetam o morangueiro e são transmitidas pelas mudas. Após estes processos, as matrizes dos híbridos serão multiplicadas em viveiro e as mudas resultantes serão cultivadas em 13 Unidades de Demonstração e Observação (UDO), implantadas nas principais regiões produtoras do estado. Nas unidades serão coletados dados de produtividade e feita a caracterização qualitativa dos frutos. Os resultados obtidos poderão indicar cultivares com elevado potencial produtivo para as diferentes regiões de Minas e mais acessíveis ao produtor mineiro”, detalha o pesquisador. 

As UDO’s serão implantadas nos seguintes municípios: Pouso Alegre, Bom Repouso, Estiva, Senador Amaral, Bueno Brandão, Munhoz e Espírito Santo do Dourado (Sul de Minas); Alfredo de Vasconcelos e Ressaquinha (Campo das Vertentes); Datas (Alto Jequitinhonha); Nova Porteirinha e Montes Claros (Norte) e Prudente de Moraes (Centro-oeste). A estimativa é que o projeto atenda a aproximadamente 8,2 mil produtores, sendo 91% deles da agricultura familiar.

Foto: Luís Cláudio Nimtz Rodrigues – Emater- MG

Produtores anseiam resultados do projeto 

Ronaldo Herculano de Lima, produtor de morango de Pouso Alegre, destaca a importância de se investir na pesquisa voltadas para este cultivo. “Enquanto outros países têm muitas variedades novas, a gente está carente de variedades para o clima tropical. O que se planta no Rio Grande do Sul é o mesmo que se planta em Minas e até na Bahia”, pondera. 

Ainda segundo ele, além do custo alto e do desgaste da viagem, as mudas importadas também chegam ao Brasil em um período mais tardio do que deveriam, atrasando a produção. “Isso sem falar em algumas doenças que a gente acredita que estão chegando junto com as mudas, mas que não temos como identificar a tempo”, reclama Lima. 

O produtor Pedro Donizete de Freitas, de Senador Amaral, destaca que as mudas importadas chegam ao Brasil representando pelo menos 20% de todo o custo da lavoura. “A muda vinda da Espanha custa cerca de R$ 1.500 o milheiro, e a produção média é de 1 quilo no ano. O preço que a gente recebe, na roça, é R$ 8 o quilo, então a situação fica bastante sofrida para todos nós”, afirma.

Números do morango em Minas 

O coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, explica que uma das características da produção de morango, não apenas em Minas, mas em todo o Brasil, é o cultivo em áreas pequenas, por agricultores familiares com até meio hectare cada. “Existem hoje cerca de 150 mil empregos diretos gerados por esta cadeia. Em Minas são 2.810 hectares plantados e uma produção de 139.118 toneladas. O estado tem 50 municípios com relato de produção, sendo 7.880 produtores familiares envolvidos na cultura e 238 não familiares”, detalha. 

Ainda de acordo com ele, os produtores pagam cerca de R$ 1,30 por cada muda importada, o que representa aproximadamente 80% de todo o custo da produção. “Os produtores mineiros importam cerca de R$ 72 milhões em mudas todos os anos. Se nós destinarmos 10% desse investimento em pesquisa, resolveremos esse problema em pouco tempo”, argumenta o coordenador estadual de fruticultura. 

O extremo Sul de Minas é a terra da Horticultura, sendo a região de Pouso Alegre conhecida como polo do cultivo de morango. “Somente na regional deste município cultivamos 2.410 hectares de morango, com uma produção de 121 mil toneladas. O PIB no Morando na regional Pouso Alegre, em 2020, atingiu R$ 810 milhões, o que mostra a importância dessa cultura para Minas e o Brasil”, complementa Sanábio. 

Caio Coimbra, analista de agronegócio da Faemg e coordenador da Câmara Técnica de Fruticultura da Seapa, enaltece a importância de se investir em pesquisas voltadas para as principais regiões produtoras de morango no estado. “Para termos a garantia de mudas de qualidade, sustentabilidade e aumento tanto na área produzida como na produção geral, precisamos justamente de pesquisas sérias, que garantam opções de mudas com qualidade e adaptadas ao clima destas regiões”, finaliza.

*Conteúdo produzido pela Secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais

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