Pesquisas da EPAMIG são destaque em documentário sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais

Curta-metragem aborda receitas mineiras feitas à base de espécies de PANC


Diretor do filme, Bellini Andrade, grava depoimento da pesquisadora da EPAMIG, Marinalva Woods. Foto: Juliana Maria de Oliveira/Epamig

(Prudente de Morais – 20/1/2023) Bolo de ora-pro-nóbis. Pastel de umbigo de banana. Frango com cansanção. Bombom de vinagreira. Peixinho frito. Costelinha com saborosa. Esses são apenas alguns pratos e doces típicos da cozinha mineira que utilizam, em suas receitas, espécies de Plantas Alimentícias Não Convencionais, conhecidas pelo acrônimo PANC. Motivado por esse universo gastronômico, o documentarista Bellini Andrade visitou, no início do mês, o Campo Experimental de Santa Rita, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), localizado em Prudente de Morais (MG), para realizar gravações que irão compor um curta-metragem sobre o uso das PANC na culinária do estado. Lá, ele registrou imagens no Banco de Hortaliças Não Convencionais, que conta com mais de 30 espécies, e colheu depoimentos da equipe de profissionais responsáveis pelos trabalhos com as PANC na Empresa.

O filme, cujo nome provisório é Do Mato à Mesa, e está com sua estreia prevista para fevereiro, foi aprovado em edital do Fundo Estadual de Cultura de 2021, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, cujo tema era “Cozinha Mineira”. “Eu desconhecia totalmente o que era PANC. Quem me introduziu no tema foi minha namorada, que teve contato com as pesquisas da EPAMIG em 2021, o que me deu a ideia de escrever o projeto baseado no uso das PANC dentro da culinária de Minas”, relata Bellini, que é diretor de vídeo e cinema há mais de 30 anos. A primeira pessoa procurada pelo realizador foi Marinalva Woods, pesquisadora e uma das especialistas em PANC na EPAMIG Centro-Oeste, para obter informações e orientações que pudessem guiá-lo na preparação do documentário.


Marinalva Woods, durante as gravações. Foto: Juliana Maria de Oliveira/Epamig

Desde 2008, a EPAMIG mantém Bancos de Multiplicação de Hortaliças Não Convencionais e desenvolve pesquisas com algumas delas, como taioba, ora-pro-nóbis, araruta, mangarito, azedinha, capuchinha e outras. Os trabalhos integram o Programa Estadual de Pesquisa em Flores, Hortaliças e Plantas Medicinais da Empresa. As hortaliças e frutas PANC são espécies que podem ser consumidas, mas são de difícil acesso e não integram a alimentação diária dos brasileiros.

“Os trabalhos desenvolvidos pela EPAMIG têm por finalidade gerar informações sobre propagação, sistemas de cultivo, manejo, colheita e pós-colheita de algumas PANC. O resgate e a popularização dessas espécies representam ganhos importantes para a valorização da cultura alimentar e costumes regionais, com impactos econômicos, sociais e nutricionais. O documentário será mais uma forma de divulgar os diversos potenciais das PANC, reforçando a importância dos trabalhos realizados pela pesquisa, extensão e ensino nos últimos anos”, comenta Marinalva Woods.


Funcionária do Campo Experimental de Santa Rita, Ângela Maria, durante o preparo do “peixinho frito”. Foto: Juliana Maria de Oliveira/Epamig

Ela lembra que as ações realizadas pela EPAMIG com as PANC contribuem para o cumprimento de sete dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estipulados pela Organização das Nações Unidas (ONU). São eles: Erradicação da pobreza; Fome zero e agricultura sustentável; Saúde e bem-estar; Educação de qualidade; Consumo e produção responsáveis; Vida terrestre; Parcerias e meios de implementação.

Ao final da visita e das gravações em Prudente de Morais, a equipe do documentário teve a oportunidade de provar o famoso “peixinho frito” e o bolo de ora-pro-nóbis, preparados exclusivamente pelos funcionários da EPAMIG, Ângela Maria e Antônio Acácio, respectivamente.

Pesquisadora da EPAMIG, Juliana Maria de Oliveira (esq.) oferece os “peixinhos fritos” para a equipe do filme. Foto: Marinalva Woods/Epamig

Da tradição dos quilombos à culinária gourmet

Segundo a pesquisadora da EPAMIG, as PANC sempre foram utilizadas durante séculos na culinária do estado, mas pararam de estar nas mesas de muitos consumidores por não serem rotineiramente comercializadas em mercados e hortifrútis. “Quem não tem acesso a um sítio, quintal ou a uma área de vegetação natural, muitas vezes não tem como inseri-las na sua alimentação. E são plantas muito ricas em nutrientes e proteínas, essenciais para qualquer dieta saudável e balanceada, além de apresentarem sabores e aromas diferenciados. É importante explicar para a comunidade em geral sobre os potenciais das PANC, incentivar a produção e superar preconceitos vinculados ao consumo delas”, ressalta Marinalva.

Cultivo de azedinha. Foto: Erasmo Pereira/Epamig

O uso das PANC na culinária mineira é vasto, podendo aparecer em receitas com carne ou frango, bolos, geleias, pastéis, vinhos e muito mais. Segundo a pesquisadora, quem também tem contribuído na popularização das PANC são chefs de cozinha gourmet. “Muitos deles usufruem das cores, sabores e texturas das hortaliças e frutas não convencionais na elaboração de vários pratos contemporâneos, propiciando novas experiências aos seus clientes e divulgando o universo rico e diversificado das PANC”, argumenta Marinalva.


Exemplares de taioba. Foto: Erasmo Pereira/Epamig

“O que mais me chama a atenção nas PANC é o infinito de possibilidades que elas apresentam. Para a realização do filme, visitei outros lugares além da EPAMIG, e um deles foi o Quilombo da Chacrinha, em Belo Vale (MG). Conversei com a comunidade e experimentei a tradicional costelinha com saborosa, uma PANC muito conhecida na região e considerada ancestral pelos quilombolas”, relata Bellini Andrade, que assina a direção, argumento e fotografia do documentário.

A EPAMIG é uma empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.

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