Umbuzeiro
Jardim Clonal de Umbuzeiros da EPAMIG Norte
Em 1996, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) iniciou pesquisas com o umbuzeiro na região Norte de Minas Gerais, com o objetivo de coletar e selecionar plantas matrizes cujos frutos apresentassem características desejáveis para o consumo in natura e/ou para a industrialização.
A coleta foi realizada com base em informações provenientes das comunidades locais, especialmente de pessoas (como coletores, consumidores e comerciantes) detentoras de conhecimento sobre plantas produtoras de frutos considerados especiais. Com base nessas informações, pesquisadores da EPAMIG, especialmente Heloisa Mattana Saturnino e Nívio Poubel Gonçalves, visitaram as localidades, realizaram o georreferenciamento das árvores, levantaram dados sobre os indivíduos e o ambiente, além de coletarem propágulos, a partir dos quais foi implantada a coleção de acessos.
Foram feitas 32 coletas provenientes de dez municípios do Norte de Minas Gerais: Janaúba (8), Porteirinha (8), Monte Azul (5), Januária (4), Nova Porteirinha (2), Lontra (1), Mamonas (1), Jaíba (1), Verdelândia (1) e Capitão Enéas (1) (SATURNINO; GONÇALVES, 2011).
Após avaliações, nem todas as 32 coletas resultaram em acessos, sendo que 23 compõem a Coleção de Acessos de Umbuzeiro, localizada na EPAMIG Norte, no Campo Experimental do Gorutuba (CEGR), em Nova Porteirinha, MG.
Essa foi implantada em duas etapas, sendo a primeira (área 1) em 15.000 m², com o plantio de 12 mudas de 16 acessos (EPAMIG-01, EPAMIG-02, EPAMIG-03, EPAMIG-04, EPAMIG-05, EPAMIG-06, EPAMIG-07, EPAMIG-08, EPAMIG-09, EPAMIG-10, EPAMIG-11, EPAMIG-12, EPAMIG-13, EPAMIG-15, EPAMIG-18 e EPAMIG-19), dispostas em duas fileiras.
O plantio foi em quincôncio, com espaçamento de 8,0 m. Foi posteriormente ampliada com a implantação de outros sete acessos (EPAMIG-14, EPAMIG-21, EPAMIG-23, EPAMIG-26, EPAMIG-27, EPAMIG-30 e EPAMIG-32) (área 2).
O trabalho teve como foco a preservação, conservação e multiplicação dos acessos selecionados, resultando na conversão da Coleção de Acessos em um Jardim Clonal de Umbuzeiros. Buscou-se desenvolver tecnologias voltadas à multiplicação e à produção de mudas da espécie, além do estabelecimento de um sistema de produção adaptado às condições edafoclimáticas da região.
Ao longo dos anos, a EPAMIG Norte desenvolve tecnologias voltadas à cadeia produtiva do umbuzeiro e conta com a parceria da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano), da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre outras instituições. Essas ações resultaram na disponibilização de informações técnicas e científicas por meio de diversas publicações, cursos e palestras, que subsidiam a implantação e a condução de pomares, bem como o conhecimento das características dos frutos como tamanho, sabor, textura, cor e 1 resistência na pós-colheita (caracterização físico-química).
Os estudos possibilitaram o estabelecimento de tecnologias para a produção de mudas por enxertia e de porta-enxertos, bem como o desenvolvimento de práticas de manejo nutricional e estratégias de irrigação. Incluíram, ainda, a definição de condições de extração e a identificação de compostos orgânicos voláteis da polpa de umbu, além da classificação comercial dos frutos, que pode nortear a comercialização.
Um dos destaques do Jardim Clonal da EPAMIG Norte, o acesso EPAMIG-01, foi registrado junto ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 2019, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) como a cultivar BRS-68. Suas características atendem às demandas relevantes da cadeia produtiva, como alta qualidade sensorial e, especialmente em função do tamanho dos frutos, com massa superior a 75 gramas, o que o coloca na categoria de umbu-gigante.
A tecnologia de produção de mudas desse material, que inclui a enxertia sobre porta-enxerto de umbu-cajá (Spondias spp.), possibilitou, no período de 2014 a 2025, a disponibilização de aproximadamente 12 mil mudas pela EPAMIG Norte. Estima-se que sejam cerca de 50 mil mudas comercializadas, se considerado o período inicial no final da década de 90. Essa iniciativa viabilizou a implantação de diversos cultivos comerciais e plantios domésticos, contribuindo para a distribuição, conservação, preservação e acesso a frutos de caraterísticas superiores, resultando na geração de emprego e renda, aliada à redução do trabalho de coleta quando comparado ao extrativismo.
O Jardim Clonal, além de possibilitar a conservação da variabilidade genética da espécie no semiárido, com redução da erosão genética, possibilita subsidiar pesquisas como de programas de melhoramento genético e estudos relacionados à propagação e ao manejo da cultura. Adicionalmente, contribui para o fortalecimento de sistemas produtivos sustentáveis para a agricultura familiar em regiões semiáridas.
Leia também:
Título: Umbuzeiro: a fruteira da Caatinga (Informe Agropecuário n. 307)
Aquisição: Livraria EPAMIG – https://www.livrariaepamig.com.br, e-mail: livraria@epamig.br