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Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Pesquisadora da EPAMIG reflete sobre desafios e realizações

Pollyanna Oliveira, pesquisadora da EPAMIG

(Belo Horizonte – 11/2/2026) O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é comemorado em 11 de fevereiro. A data, instituída, em 2015, pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca dar visibilidade à participação feminina nas áreas científicas e tecnológicas e inspirar a formação de mais pesquisadoras.

Atuando na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) há 18 anos, a pesquisadora Polyanna Oliveira conta que se interessou pelo trabalho científico durante a graduação, cursada na Universidade Federal de Lavras (UFLA). 

“Sou engenheira agrícola por formação e logo no início do curso, tive a oportunidade de atuar como monitora. Na sequência, ingressei no Programa Especial de Treinamento (PET), no qual tive muitas oportunidades de trabalhar com pesquisa. Foi por meio desse programa que me interessei e fui definindo a minha linha de trabalho”.

“Quando eu estava no Mestrado e trabalhava com “Cafeicultura Irrigada”, teve o Concurso da EPAMIG. Eu já conhecia a Empresa pela atuação na UFLA e pelo contato com os pesquisadores da cafeicultura. Sabia que aqui tinha o perfil que eu queria, fiz o concurso para a área de irrigação e passei”, conta Polyanna, que fez Doutorado na área de Hidrologia.

A vaga em Nova Porteirinha, no Norte de Minas, levou a pesquisadora a mudar de cidade, em 2007, com a filha, que tinha apenas dois anos. E, trouxe a oportunidade de trabalhar na área de atuação escolhida por ela. 

“O Semiárido é uma região muito desafiadora e com muito potencial. Lá, eu trabalhei com irrigação de fruteiras e também com culturas adaptadas, como fruticultura de sequeiro e palma forrageira”, afirma a pesquisadora, que em 2023 foi transferida para Lavras.

Novos Desafios

Desde 2020, Pollyanna tem atuado no projeto agrovoltaíco. A proposta é gerar energia solar de maneira integrada à produção agrícola. “Durante a pandemia, abracei esse desafio novo. Eu já havia lido sobre o tema, mas não tinha me aprofundado, aí surgiu a demanda de parceria com a Cemig”.        

Duas usinas-piloto, estão sendo implementadas nos campos experimentais da EPAMIG de Mocambinho (Jaíba -MG), onde inicialmente serão avaliadas quatro culturas agrícolas, e Santa Rita (Prudente de Morais, na região Central do Estado) onde será trabalhada a bovinocultura.

“Estamos na fase de finalização das usinas e muito ansiosos para começar a produzir. Além da Cemig, temos parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e consultoria do Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems, que desenvolveu o sistema na Alemanha”

Mulher Cientista 

Ao relembrar esta trajetória, Polyanna Oliveira, ressalta a importância da rede de apoio e da base familiar para a consolidação da carreira.

“Chegar numa cidade nova em que eu não conhecia ninguém, com uma bebê de dois anos, foi muito difícil. Várias vezes pensei em desistir”, recorda. “Meus pais, minha avó, os colegas e amigos que fiz no Norte de Minas foram imprescindíveis, me deram sustentação nas adversidades e contribuíram para eu me realizar profissionalmente”.

A pesquisadora percebe que algumas questões melhoraram nos últimos anos. “O fato de a mulher poder incluir a licença maternidade no currículo Lattes é um avanço. Ela pode cuidar dos filhos, sem prejudicar a produção científica, na comparação entre os pares”.

E finaliza: “Ver mulheres e meninas realizando na ciência é muito gratificante. Sabemos que os desafios são enormes e vão permanecer, mas nós somos aguerridas e vamos continuar”.