Umbuzeiro
Coleção de acessos de umbuzeiros na EPAMIG Norte
Em 1996, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (EPAMIG) iniciou pesquisas com o umbuzeiro na região Norte de Minas Gerais, com o objetivo de coletar e selecionar plantas matrizes cujos frutos apresentassem características desejáveis para o consumo in natura e/ou para a industrialização.
Paralelamente, buscou-se desenvolver e identificar tecnologias voltadas à multiplicação e à produção de mudas de umbuzeiro, visando ao estabelecimento de um sistema de produção adaptado às condições edafoclimáticas da região. Adicionalmente, os trabalhos tiveram como foco a preservação, conservação e multiplicação dos acessos selecionados por meio da implantação de um jardim clonal de umbuzeiro.
Para isso, foram avaliadas amostras de frutos provenientes de 32 plantas localizadas em dez municípios do Norte de Minas Gerais: Janaúba (8), Porteirinha (8), Monte Azul (5), Januária (4), Nova Porteirinha (2), Lontra (1), Mamonas (1), Jaíba (1), Verdelândia (1) e Capitão Enéas (1).


A Coleção de Acessos de Umbuzeiro, localizada na EPAMIG Norte, no Campo Experimental do Gorutuba (CEGR), em Nova Porteirinha, MG, foi inicialmente implantada em uma área de 15.000 m², com o plantio de 12 mudas de cada um dos 16 acessos selecionados, dispostas em duas fileiras. O plantio foi conduzido em quincôncio, com espaçamento de 8,0 m, sendo posteriormente ampliado com a implantação de mais acessos previamente selecionados em outra área do campo experimental.
Ao longo dos anos, a EPAMIG Norte desenvolve tecnologias voltadas à cadeia produtiva do umbuzeiro e conta com a parceria da Emater-MG, IF Baiano, UNIMONTES, UFMG, entre outras instituições.
Essas ações resultaram na disponibilização de informações técnicas e científicas por meio de diversas publicações, cursos e palestras, que subsidiam a implantação e a condução de pomares, bem como o conhecimento das características e qualidade dos frutos como sabor, textura, cor e resistência na pós-colheita.

Os estudos possibilitaram a identificação de plantas superiores, o estabelecimento de tecnologias para a produção de mudas por enxertia e de porta-enxertos, bem como o desenvolvimento de práticas de manejo nutricional e estratégias de irrigação. Incluíram, ainda, a caracterização físico-química dos frutos, a definição de condições de extração e a identificação de compostos orgânicos voláteis da polpa de umbu, além da classificação comercial dos frutos, que organiza a comercialização.
Um dos destaques da Coleção da EPAMIG Norte, o acesso EPAMIG-01 foi registrado junto ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 2019, pela EMBRAPA como a cultivar BRS-68.
Suas características atendem a demandas relevantes da cadeia produtiva, especialmente em função do tamanho dos frutos, que apresentam peso médio superior a 75 gramas.
Por esse motivo, são denominados umbu-gigante, destacando-se também pela elevada qualidade sensorial. A tecnologia de produção de mudas (enxertia sobre porta-enxerto de umbucajá) possibilitou, no período de 2014 a 2025, a disponibilização de aproximadamente 12 mil mudas pela EPAMIG Norte.
Essa iniciativa viabilizou a implantação de diversos cultivos comerciais e plantios domésticos, contribuindo para a distribuição, conservação, preservação e acesso a frutos de características superiores.
A coleção de clones de umbuzeiro permite a conservação da variabilidade genética da espécie no semiárido e possibilita subsidiar pesquisas voltadas à caracterização, avaliação e seleção de genótipos superiores, com potencial para atender demandas de mercados de produtos frescos e das agroindústrias de processamento.
Além disso, apoia programas de melhoramento genético e estudos relacionados à propagação e ao manejo da cultura, contribuindo para a redução da erosão genética e o fortalecimento de sistemas produtivos sustentáveis.