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Projeto liderado pela EPAMIG expande o cultivo de arroz e fortalece a agricultura familiar em Minas Gerais

Projeto liderado pela EPAMIG expande o cultivo de arroz e fortalece a agricultura familiar em Minas Gerais

´SemeArroz´ implantou quase 200 unidades demonstrativas na região do Vale do Jequitinhonha em 2025

(Belo Horizonte – 26/2./2026) Destaque no prato do brasileiro, o arroz é elo entre sabores diversos e saúde. Cultivado em Minas Gerais em várzeas inundadas, o grão conta agora com estudos para o cultivo em terras altas, de sequeiro. Em busca de expansão, diversificação de produção para pequenos agricultores, aplicação em merenda escolar e futura autossuficiência, o projeto “Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar”, conduzido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), tem incentivado a agricultura familiar e o renascimento da cultura do grão no Estado. 

Desdobramento da proposta inicial, aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o `SemeArroz´ tem foco especial nas produções no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. Só no ano de 2025, as regiões receberam quase 200 Unidades Demonstrativas de cultivo de arroz de terras altas, das mais de 300 implantadas em todo o Estado. 

“Existe uma grande demanda pelo cultivo do cereal, especialmente, por agricultores familiares para atender à Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). E, junto com a Emater-MG e a Universidade Federal de Lavras (UFLA), trazemos para esses produtores as tecnologias de plantio e colheita”, afirma a pesquisadora da EPAMIG, Janine Guedes, coordenadora dos trabalhos.   

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“Vamos até esses produtores, realizamos cursos, palestras, levamos sementes de cultivares comerciais bem aceitas no mercado, o adubo. Fazemos, junto com eles, o plantio das Unidades Demonstrativas que serão acompanhadas durante o ciclo produtivo”, prossegue a pesquisadora. 

Incremento na produção 

No município de Veredinha, Vale do Jequitinhonha, Terezinha Cordeiro Rocha e José Maria Fernandes da Rocha, receberam, em dezembro, a equipe do projeto para a implantação da Unidade Demonstrativa. Na propriedade de menos de 1 hectare, o casal tem uma produção diversificada para a subsistência e fornecimento ao PNAE.

“A área aqui é pequena, mas toda cultivada. Plantamos feijão, milho, acerola, laranja, banana, cana-de-açúcar e capim para a vaca leiteira. Criamos porcos e peixes, produzimos farinha e a rapadura que usamos para adoçar o café. Tentamos cultivar de tudo e garantir uma alimentação saudável para a nossa família”, conta Terezinha.

A agricultora, que herdou o terreno da mãe, se emocionou com a concretização de mais uma etapa. “Não teremos mais que comprar arroz. Logo vamos comprar só o sal, que a gente não produz aqui. Muito obrigada a todos que vieram fazer essa plantação que era o meu sonho. Eu sempre quis plantar arroz aqui”.

Janine Guedes acrescenta que o arroz vem para complementar uma renda que o produtor já tem, além de ser uma cultura rústica e de fácil adaptação. “O arroz tem uma necessidade baixa de adubação e vai bem em áreas totalmente secas e também em áreas onde ocorrem alagamentos”.

“Além de fortalecer a segurança alimentar, o arroz traz renda adicional e impacta o meio ambiente. O cultivo de terras altas não tem uma grande necessidade de água e deixa uma palhada muito boa de cobertura de solo que pode ser usada no plantio de outras culturas”, destaca a pesquisadora. O projeto, inclusive, incentiva e orienta o plantio de hortas circulares após a colheita do grão.

A área para a implantação das unidades demonstrativas do projeto varia entre 500 e 1000 metros quadrados, sendo que em 500 metros é possível obter entre 250 e 300 quilos de arroz.

Janine aponta que somente com esses trabalhos, Minas saiu de 18º para 11º produtor do grão no País nos dois últimos anos. A produção do estado em 2024 foi de 88,7 mil toneladas em dados da Secretaria de Agricultura. “As pesquisas já mostraram que o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha têm muito potencial para arroz de sequeiro, uma alternativa muito viável para aumento em área de produção”, diz.

Pesquisa aplicada

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A identificação dos agricultores e propriedades que recebem as unidades demonstrativas é feita pelos escritórios locais da Emater-MG. “Aqui temos a demonstração do encontro entre a pesquisa e a extensão, com os resultados da pesquisa aplicados à realidade do produtor”, comenta o coordenador regional de Culturas da Emater-MG em Capelinha, José Mauro de Azevedo.

A interface entre pesquisa, extensão rural e segurança alimentar faz parte das diretrizes do Governo Estadual. 

“Todo o Sistema da Agricultura em Minas Gerais atua para impulsionar a atividade em nosso Estado e melhorar a vida dos nossos produtores. Nosso objetivo é, cada vez mais, fazer com que os trabalhos da EPAMIG, da Emater e do Instituto Mineiro de Agropecuária, junto da Secretaria de Agricultura auxiliem e fomentem o desenvolvimento rural sustentável”, assegura o vice-governador Mateus Simões. 

Trabalho Integrado

Juntos, EPAMIG, Emater, IMA, sob coordenação da Secretaria de Agricultura atuam no apoio ao produtor até a certificação como um fator estratégico para agregar valor à produção e ampliar acesso à comercialização. No âmbito do Programa Certifica Minas, que reconhece propriedades rurais que adotam boas práticas ambientais, sociais e trabalhistas, produtores de arroz podem requerer as certificações de Produtos Orgânicos e a certificação S.A.T. (Sem agrotóxico). Interessados em aderir a essas certificações podem buscar orientação junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), responsável pela certificação dos produtos.