Você está aqui:
Projetos em Vitivinicultura da EPAMIG apoiam a produção de uva e vinho por agricultores familiares em Caldas e região

Projetos em Vitivinicultura da EPAMIG apoiam a produção de uva e vinho por agricultores familiares em Caldas e região

Trabalhos incluem implantação de unidades demonstrativas, capacitações e atividades voltadas para crianças

(Caldas – 12/6/2026) A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) conduz dois projetos para a Inovação e o Resgate histórico e cultural da vitivinicultura do Sul de Minas. As propostas buscam conhecer e fortalecer a produção de uvas americanas e de vinhos de mesa nos municípios de Caldas, Santa Rita de Caldas e Andradas.

Os trabalhos contam com o apoio financeiro de cerca de R$1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). As ações incluem a implantação de unidades demonstrativas com diferentes variedades de uvas híbridas para a produção de espumante, vinho e suco, além de capacitações para os produtores.

Também foram realizadas atividades com estudantes do 6º ao 9º ano e em duas creches do município de Caldas, com o intuito destacar o valor histórico da atividade. Em uma das visitas, as crianças fizeram, inclusive, a pisa da uva.

“Até os anos de 1980, a uva era a principal fonte de renda da região. Os municípios de Caldas, Andradas e Santa Rita de Caldas eram responsáveis pelo abastecimento dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro com a produção de vinho. Essa atividade persiste, em menor proporção, e, ainda é muito significativa para os produtores e apresenta grande impacto na economia das famílias”, comenta a enóloga da EPAMIG, Angélica Bender.

Outro ponto trabalhado tem sido a legalização desses viticultores. Angélica Bender conta que a demanda partiu dos próprios produtores, após uma ação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “Este é um movimento mais recente, alguns produtores procuram a EPAMIG e a Emater-MG para que criarmos um grupo de trabalho e buscarmos a legalização”, informa.

“Fomos buscando alternativas e chegamos à proposta de criar uma associação e legalizar cada propriedade, para que cada um mantenha o seu perfil de vinho, a sua identidade”, acrescenta a pesquisadora.

Dentre as ideias levantadas está a possível aquisição de um caminhão de envase para diminuir os custos de implantação das vinícolas. “A parte do envase é a mais crítica e a que representa mais custos para o produtor”, explica Angélica. Para conhecer melhor e avaliar o sistema, o grupo visitou uma cooperativa em Jundiaí (SP), que adotou a alternativa.

“No começo de junho foi feita uma reunião com um grupo maior de produtores que demonstraram interesse na legalização. A próxima etapa, que iniciaremos já na segunda quinzena deste mês, será avaliar cada propriedade e as condições necessárias para a legalização”, detalha a pesquisadora.

A equipe ainda não possui um levantamento preciso do número de viticultores familiares na região, mas tem percebido o interesse pela legalização e pelo trabalho de resgaste aumentar. “No início do contato foi boca a boca, por meio visitas e das instituições parceiras. Hoje os produtores tem se sentido mais à vontade e procurado a EPAMIG”, relembra Angélica.

O enoturismo tem sido outra possibilidade avaliada e estimulada pelo grupo de trabalho, que além da equipe de vinicultura da EPAMIG em Caldas, tem a participação da Emater-MG, do Senar-MG, do Sindicato dos Produtores Rurais, do Sebrae e dos poderes públicos e lideranças municipais.