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EPAMIG avalia potencial de uvas resistentes a doenças para produção de vinhos no Sul de Minas

EPAMIG avalia potencial de uvas resistentes a doenças para produção de vinhos no Sul de Minas

Projeto identificou variedades que permitem reduzir o uso de fungicidas e apresentam potencial para a elaboração de vinhos finos

(Belo Horizonte – 21/10/2026) A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) avaliou oito variedades de uvas resistentes a doenças para a produção de vinhos no Sul de Minas Gerais. Desenvolvido entre 2021 e 2025, o projeto identificou cultivares com potencial produtivo e enológico, que podem contribuir para reduzir o uso de fungicidas no cultivo.

As variedades pertencem ao grupo das PIWIs, sigla de origem alemã utilizada para identificar cultivares de videira resistentes a doenças fúngicas. Elas resultam do cruzamento da espécie Vitis vinifera, tradicionalmente utilizada na produção de vinhos finos, com outras espécies que apresentam genes de resistência a patógenos.

“A proposta foi avaliar o comportamento dessas variedades nas condições do Sul de Minas e verificar seu potencial tanto no campo quanto na elaboração dos vinhos. Buscamos identificar alternativas que possam contribuir para uma produção mais sustentável, sem abrir mão da qualidade”, explica a pesquisadora da EPAMIG e coordenadora do projeto, Cláudia Souza.

O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), por meio do processo APQ-01063-21.

Saiba mais: EPAMIG avalia adaptação de uvas piwis no Sul de Minas

Estudo em campo

 

A pesquisa contou com a parceria da vinícola Stella Valentino, em Andradas (MG), onde foi instalado o vinhedo experimental, e do viveiro italiano Vivai Cooperativi Rauscedo, com a doação das mudas.

Foram avaliadas quatro cultivares brancas (Sauvignon Kretos, Sauvignon Rytos, Fleurtai e Soreli) e quatro tintas (Merlot Kanthus, Merlot Khorus, Cabernet Eidos e Cabernet Volos). Ao longo do projeto, foram realizadas duas colheitas de verão e uma de inverno. A produtividade variou de 1,5 a 3,5 quilos de uvas por videira, conforme a cultivar.

Um dos resultados de destaque foi a redução da necessidade de aplicações de fungicidas. “No último ciclo de produção de verão e no ciclo de inverno, não foi necessário aplicar fungicidas para o controle do míldio, uma das principais doenças da videira. Para o controle do oídio, foram realizadas apenas três pulverizações nos dois ciclos de produção”, destaca Cláudia.

A redução das aplicações pode diminuir os custos de produção e os impactos ambientais associados ao cultivo, além de favorecer sistemas de manejo com uso mínimo de fungicidas.

Potencial para a produção de vinhos

Além das avaliações em campo, foram realizadas microvinificações, processo de elaboração de pequenos volumes de vinho para avaliar as características das uvas e seu potencial enológico. Os resultados indicaram que as oito cultivares apresentam potencial para a produção de vinhos no Sul de Minas.

As PIWIs conservam mais de 85% dos genes da espécie Vitis vinifera, contribuindo para preservar características importantes para a elaboração de vinhos finos. As variedades estudadas também estão registradas como Vitis vinifera no catálogo europeu de variedades e no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Brasil.

“Essas variedades podem ampliar as opções dos produtores que buscam uma vitivinicultura mais sustentável e atender a consumidores interessados em produtos associados a práticas agrícolas de menor impacto ambiental”, conclui Cláudia Souza.

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