(Belo Horizonte, 04.07.2018) Os azeites de oliva extravirgens produzidos no Brasil tĂȘm se destacado pelo frescor e pela qualidade. O sabor marcante, a picĂąncia e as notas caracterĂsticas da regiĂŁo onde sĂŁo produzidos fazem com que estes azeites conquistem o mercado gastronĂŽmico.
ResponsĂĄvel pela primeira extração do azeite extravirgem no paĂs, realizada em 2008, em Maria da FĂ©, a Empresa de Pesquisa AgropecuĂĄria de Minas Gerais – EPAMIG atua tambĂ©m na difusĂŁo de tecnologias sobre a olivicultura, no fornecimento de mudas de qualidade e no processamento do azeite. O lagar do Campo Experimental em Maria da FĂ© processou neste ano azeites de 15 propriedades da regiĂŁo.
âAtualmente a EPAMIG recomenda, aos produtores interessados, as cultivares: Arbequina (Espanhola), Grappolo 541 (Epamig), Grappolo 575 (Epamig), Grappolo 561 (Epamig), Ascolano 315 (Epamig), Koroneiki (GrĂ©cia), Arbosana (Espanhola), Maria da FĂ© (Epamig) e Frantoio (ItĂĄlia)â informa o coordenador do Programa Estadual de Olivicultura da EPAMIG, Luiz Fernando de Oliveira, acrescentando que ao iniciar o plantio de oliveiras para a produção de azeites o produtor deve estar atento a questĂ”es de clima, solo, topografia e os cuidados necessĂĄrios para implantação da cultura como escolha das cultivares, espaçamento, preparo do solo, linhas de carreadores, etc.
Na gastronomia os azeites se destacam pela versatilidade, podendo ser combinados com vĂĄrios alimentos, conforme observa a azeitĂłloga Ana Beloto. âO azeite pode ser usado como entrada, prato principal e atĂ© na sobremesaâ. Para as variedades Grappolo, que possui picĂąncia, notas amargas e sabor marcante e Arbequina que tem uma sabor amanteigado, mais doce, Ana Beloto, sugere pratos salgados com sabores mais marcantes, alĂ©m de serem usados durante a sobremesa no mousse de chocolate e com goiabada e queijo.
Para Ana Beloto, que acompanha os trabalhos de alguns dos produtores da regiĂŁo da Serra da Mantiqueira, o Brasil produz azeites de oliva de excelente qualidade e com uma vantagem: chegam frescos e em um intervalo curto apĂłs a sua extração na casa do consumidor e com sabores mais suaves e frutados, de amargo e picĂąncia distintos Ă s de outras regiĂ”es produtoras mundiais. âPodemos encontrar um azeite com aroma frutado, herbĂĄceo e com o mĂĄximo de sabor. Ainda temos muito que conhecer dos azeites e em especial os mineiros,â completa Ana.
Azeites Premiados
Em 2018, ao menos cinco rĂłtulos nacionais, sendo trĂȘs da Serra da Mantiqueira, foram premiados em concursos internacionais. Dentre eles, estĂĄ Ă marca Borriello, uma das vencedoras do concurso Worldâs Best Olive Oils New York 2018 (NYIOOC) na categoria Blend. A produtora Carla Retuci, que atua ao lado do marido Mario Borriello, conta que conheceu o trabalho da EPAMIG em pesquisas de olivicultura em 2007, ano que adquiriu 700 mudas da empresa, para fazer experimentação em sua fazenda em TrĂȘs Barras.
Segundo Carla, as mudas da EPAMIG tiveram uma ótima adaptação à localidade, o que proporcionou a continuação do plantio. Hoje, a empresa Borriello conta com årea de plantio de 19 hectares, sendo 10% das mudas de oliveira provindas da EPAMIG em Maria da Fé, das variedades Arbequina e Grappolo, com uma média de extração total de 700 litros de azeite por ano.
A azeitĂłloga Ana Beloto, criadora do Blend premiado no NYIOOC 2018, destaca que para se ter um azeite ganhador de prĂȘmios, o produto deve ser de extrema qualidade desde a colheita das azeitonas, produção do azeite e envase. âTambĂ©m ter como diferencial a complexidade de sabores e aromas, sua personalidade e a autenticidade da sua identidade de territĂłrio gastronĂŽmico.â afirma.Na onda das premiaçÔes, o Azeite Irarema, de Poços de Caldas (MG) foi premiado na categoria Best in Class, com a variedade Blend, em abril deste ano, no Worldâs Best Olive Oils New York (NYIOOC). O Azeite Orfeu, que fez suas primeiras extraçÔes no lagar da EPAMIG, recebeu duas medalhas de ouro no concurso italiano EVO International Olive Oil Contest 2018 (EVO IOOC). A fazenda fica localizada em SĂŁo SebastiĂŁo da Grama, em SĂŁo Paulo.
Jå no Sul do Brasil, também venceram no EVO IOOC 2018 o Prosperato Exclusivo Picual, produzido em Caçapava do Sul (RS), na categoria monovarietal, que é o azeite obtido a partir de uma só variedade de azeitona e o Azeite Olivas Costa Doce, da cidade de Dom Feliciano, vencedor na categoria Blend.
Produção Diferenciada
Alguns produtores arriscam na mistura das variedades, no ponto da azeitona (de mesa) e no jeito que sua extração Ă© feita. O rĂłtulo Verde Oliva, trabalha com o azeite caracterizado orgĂąnico e biodinĂąmico. O produtor Luiz Yamaguti, conta que o azeite biodinĂąmico Ă© uma etapa superior ao orgĂąnico, assim como o azeite orgĂąnico Ă© uma etapa superior ao azeite convencional. Ana Beloto explica que as diferenças entre os azeites biodinĂąmicos e orgĂąnicos estĂŁo no cuidado durante todo o processo de colheita, produção e envase, considerando alguns conceitos como nĂŁo utilizar aditivos quĂmicos e utilizar os insumos que possui na prĂłpria fazenda, entre outros fatores.
Hoje, Luiz possui duas propriedades com uma ĂĄrea total de 25 hectares e oliveiras variando entre um e oito anos de idade, sendo 30% das mudas adquiridas do Campo Experimental da EPAMIG em Maria da FĂ©, nas variedades Arbequina, Koroneiki e Arbosana. A produção total chega a ser de 20 mil litros de azeite por extração. Segundo ele, âno Brasil atualmente, somente o Azeite Verde Oliva possui o processamento com Certificação OrgĂąnico, e talvez no mundo com exceção da Europa, somente o Azeite Verde Oliva tem o processamento com certificação BiodinĂąmicoâ afirma Luiz.






